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"Mais Agua no Feijão" Reforçado estamos.


O nosso diretor Valter Vanir Coelho sempre foi um grande admirador dos trabalhos do artista Alexandre Cruz, e com sua ida para Amparo (quartel general de Cruz), ele voltou fascinado com seu processo de trabalho e seus outros talentos. Foi aí que surgiu a idéia de convidar Alexandre para fazer a direção de arte (clima, figurino, cenário, etc)do Do Alto do Seu Encanto. O premiado diretor, cineasta, figurinista aceitou para nossa alegria, e no dia 28 de Julho estava ele aqui para assistir uma apresentação do Encanto exclusiva. "Foi nosso menor público" fez graça o ator Rodolpho Pinotti. Já para o mais novo integrante da equipe foi "Foi algo absolutamente inusitado me senti meio Grotowski num momento de solidão como espectador , um voyer mas precisamente!!! Vocês foram muito generosos". Alexandre e Valter se reuniram no dia seguinte e discutiram bastante sobre o que cada um acha do clima, das cores e do ambiênte que a peça deve estabelecer. Alexandre Cruz deu o seguinte depoimento sobre a peça "Vi como se eu fosse uma criança. E isso me tocou porque é um texto que é uma resposta ao universo em desencanto, como se dissessem "Por favor não deixem roubar nossos sonhos" é a nossa matéria-prima; Deus (shakespeare) disse que nosso barro é esse: SONHOS" E com estas palavras nos entregamos ao significado mais real da frase "Seja bem vindo Alexandre Cruz."

De Volta ao Encanto

Na próxima semana voltaremos à sala de ensaio ou no nosso caso à praça de ensaio. Para "cochar" alguns parafusos. E vou aproveitar e voltar a fazer alguns comentários sobre nosso processo de montagem.

Dessa vez vou tentar encontrar uma sistemática cronologico-linear para compartilhar com você, que está lendo agora esta página, e que assistiu, ou não, o Do Alto Do Seu Encanto.

"os preconceitos são como cogumelos, o melhor não presta" (não encontro o dono dessa frase - se for vc por favor me avise).

Rodolpho Pinotti

Falando de Pixinguinha

O texto de Valter Vanir Coelho, Do Alto Do Seu Encanto, passa em um mundo mágico, mas empresta elementos históricos e personagens do nosso mundo. Um deles é nosso personagem principal, Pixinguinha. Pixinguinha do "Encanto" é um garoto especial que assim como o grande músico Alfredo da Rocha Vianna, o Pixinguinha, foi responsável por grandes feitos assim como foi perseguido.

Nas próximas postagens vamos falar um pouco do grande músico e tentar fazer um paralelo com o mundo do "Encanto".

Me Perguntaram Por que Fiz "Do Alto do Seu Encanto"



Quando me perguntaram Por que Fiz o espetáculo "Do Alto do Seu Encanto", ao invés de responder simplesmente, resolvi fazer um verbete poético visual e de quebra com este verbete homenagear soldados da arte contra a barbárie. São estes soldados o escritor John Boyne, o cineasta Mark Herman, e o produtor cinematográfico David Heyman.






PORQUÊ PAI?

É por isto que eu faço arte.
É por isto que eu promovo perguntas.

Figurinos do Encanto



O Nascimento do Texto (pra entender, leia o Nascimento da Idéia do Texto)

Dois dias e um mês depois caminhava no San Martin em Buenos Aires (foto), lia um Trevisan, lembrava delas. Deitei sobre a grama, dedilhei meus pêlos por baixo do jeans, e estava em paz. Amava e era amado. Já tinha a sorte divina de não ter mais adolescentes em minha cama e em minha grama vermelha de veias pulsantes, agora meu amor já era adulto e eu havia esperado anos por isso. Ate que avistei uma placa que proibia a entrada de "perros", imaginei... Um proibiria perros, outros negros, outros gatos, alguns maranhenses, aqueles bolivianos, aquela atores globais, você funkeiras, minha mãe umbandistas, a ruiva spilberguianos, meu tio travestis, a irmã do meu amigo o Jorge, o meu aluno proibia o professor, a morena algumas loiras, a Andréia Barros não deixaria a Andréia Lopes, o Hitler os judeus, a loira proibiria as petistas, as petistas as patricinhas, as patricinhas as putas de cinco reais. Se uma daquelas atrizes bem fodidas tivessem um útero bom, e não ressecado por Yasmin, Femiane, Etinilestradiol ou Levonorgestrel estaria eu com um filho conhecendo Saint Martin. O filho que infelizmente ainda não tenho por ser esse vádio-teatrológo USPiniano. Pensei agora de bolsa escrotal murcha e Trevisan arriado: "Quem meu filho proibiria entrar nesse parque?" "Quem meu filho (parte de mim) mandaria matar, se maldoso fosse?" "Quem, quem eu amasse e adorasse, odiaria?" "Quem, que fosse mais eu do que eu mesmo, tiraria do mundo das gramas verdes e macias?" "Quem, teria um defeito tão grave, que expeliria pra fora de meu útero masculino, das trompas do mundo?" "A que e a quem eu contra meu filho teria que incluir na Lista do Spielberg?". Nessa época, decidi que meu filho poderia ter nascido com um rabo, ou com leucemia, ou com cancro, ou ate sem um dedo... e quem o impediria de entrar nesse parque? Me deu medo, me deu tanto medo, que escrevi esse texto. Apenas um detalhe que não quero que voces esqueçam, nesses dias eu amava e acreditava ser amado, quando se está assim, mesmo a reflexão da maldade fica mais poética.

Deus gosta da Cia Sem Máscaras, olha nosso presente!

Homenagem a Benegrud Alves, interprete do Pixinguinha