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O Porto Seguro de Pixinguinha

Alfredo da Rocha Viana é um viúvo de 38 anos, passou sua juventude morando na Zona da Ignorância, e está morando no Reino do Encanto á alguns anos, escolheu alí para criar seu filho. Agricultor de poesias, trabalha numa plantação do governo, mas tem em casa sua própria plantação de poetas, mas ele se dedica a plantar poetas que foram calados, perseguidos, censurados, impedidos de escrever por algum motivo, essa plantação é rara e valiosa. Depois que sua amada morreu, ele dedicou total e integralmente ao seu filho, que hoje completa 14 anos.
Ele é Porto Seguro apenas de Pixinguinha. Um pai superprotetor e que as vezes exagera no carinho com Pixinguinha. È feliz, porém está com medo de com as mudanças da puberdade, seu filho ficar distante dele, já que ele é seu unico companheiro e são muito unidos. Porto Seguro se arrepende de não ter lutado contra a ditadura ou em alguma guerra, mas onde ele morava (na Zona da Ignorância, na Zona Rural) essas informações não chegaram, isso quer dizer que ele não soube que o pais passava por isso naquele momento. Ele não é muito vaidoso, por ter sempre morado em Zona Rural não liga para aparência e é até descuidado. É um homem muito bom e honesto. Porto Seguro é muito saudosista e vive suspirando pelos cantos, saudades de quando seu mundo era diferente e até parecia melhor que o mundo de hoje.

O "novo" Pixinguinha do Do Alto do Seu Encanto


Pixinguinha, na verdade se chama Alfredo da Rocha Viana Filho, tem 13 anos, e hoje fará 14 à meia-noite. Filho de Alfredo da Rocha Viana e sua mãe faleceu quando ele ainda era muito pequeno, filho único, bagunceiro e serelepe. Pixinguinha não tem problemas com a falta de sua mãe, apesar de saber que falar dela ilumina o coração de seu pai. Pixinguinha é bom aluno, aprendeu muitas linguas na escola (dialétos) de seu mundo, ele está mega-ansioso, aprrensivo e cheio de espectativas sobre o que mudará em seu corpo com a chegada da puberdade. Ele é desinibido, questionador e está quase gordinho, mas sua grande caracteristica é o sonho. Pixinguinha é muito sonhador.

No dia em que morreu o Pixinguinha do Mundo Real

Pixinguinha morreu dentro de uma igreja, em Ipanema, no Rio de Janeiro, em 17 de fevereiro de 1973. Tinha ido batizar o filho de um amigo, depois de adiar por várias vezes o batismo por motivo de complicações no estado de saúde. É possível que não tenha resistido à emoção de ser padrinho do filho do amigo na hora do batismo quando então caiu fulminado por um enfarte. O pessoal da Banda de Ipanema, que saía pelas ruas em época de Carnaval, ao tomar conhecimento de sua morte, passou na porta da igreja onde o corpo de Pixinguinha estava sendo velado lá dentro. E naquele instante tocou como nunca o samba que homenageava o mestre. Os foliões cantavam num clima de alegria e tristeza o refrão: “Ô, lê, lê, ô,lá, lá, pega no ganzê, pega no ganzá...”

O Pixinguinha do Mundo Real

Alfredo da Rocha Viana Filho nasceu a 23 de abril de 1897, no Rio de Janeiro e cresceu ouvindo em casa a boa música dos chorões. Conhecida como "Pensão Viana", sua casa era freqüentada por músicos e foi neste ambiente que cresceu, ouvindo samba e choro a noite toda e tentando dedilhar as músicas em sua flauta de lata. Aos 14 anos já começava a fazer parte do cenário musical do Rio, e via seu nome aparecer na imprensa carioca. O apelido de Pixinguinha veio da junção de dois outros apelidos: Pizindim (pequeno bom em dialéto africano) e bixiguinha (por ter tido a doença variola, chamada também de bixiga).
Era o décimo-quarto filho de uma família musical. Seu pai era músico e vários de seus irmãos também. Ainda novo começou a acompanhar seu pai, flautista, em bailes e festas, tocando cavaquinho. Aos 12 anos fez a sua primeira obra, o choro “Lata de Leite” que foi inspirado nos chorões, músicos boêmios que depois de noitadas regadas a bebidas e música, tinham o hábito de tomar o leite alheio que ficava nas portas das casas... Aos treze, passou a estudar o bombadino e a flauta. Aos 17 grava as suas primeiras composições: “Rosa” e “Sofre Porque Quer”.
Aos 22 anos, Pixinguinha forma o grupo Os Oito Batutas, e tocavam na sala de espera do Cine Palais, faziam mais sucesso que os próprios filmes; participaram da Semana de Arte Moderna de 22, foram para Paris, onde a imprensa disse que eles "davam mais vida à Belle Époque parisiense". Posteriormente, em Buenos Aires, gravaram diversos discos na Victor, com sucesso de público e de crítica.
Pixinguinha gravou com Louis Armstrong (foto), grande nome de seu tempo. Nesta época, Pixinguinha já era visto como gênio, enquanto desenhava a fisionomia do que hoje conhecemos como choro, com a graça, o ritmo e o hábito do improviso. Ele muito pesquisou e realizou experiências com resultados surpreendentes.
O mestre não se deu por satisfeito, e se desenvolveu como arranjador e orquestrador, organizando diversas orquestras. Na década de 40, já com idade, deixou a flauta para dedicar-se ao sax tenor.
Vale ainda dizer que Pixinguinha agradou todos os níveis sociais, numa época em que o preconceito racial ainda imperava, os negros não eram aceitos em qualquer lugar e também o preconceito contra o "popular" ainda assolava a criação e o desenvolvimento da música popular brasileira. Assim, acabou conquistando grandes intelectuais do período. foi primeiro maestro-arranjador a ser contratado em uma época que a maioria dos músicos era amadora. Misturou a sua formação erudita basicamente européia com os ritmos negros brasileiros e a música negra norte-americana. Deu uma guinada no som do Brasil!! Trouxe um tempero, um sotaque nacional, marcou com classe e com estilo a nossa música.
Sua história se mistura com a própria história do rádio e da música nacional. É o grande mestre entre todos os outros grandes mestres que o Brasil já teve. Não é possível pensar em música nacional sem se curvar diante deste músico maravilhoso que morreu em 1973. O consolo que resta é saber que existem várias composições ainda inéditas, ainda pedindo para serem mostradas. Que seja feita esta vontade...que se mostre Pixinguinha...porque Pixinguinha é atemporal.....

Naturalidade Realista ou Classicismo Fantástico

No novo processo do "Encanto", ontém fiz o Grud (Benegrud Alves, ator) mergulhar no universo da interpretação, fiz ele falar do que é interpretar, de suas inúmeras formas e processos. Desenhamos olhares, desenhamos gestos, desenhamos sentidos, procuramos compreender o que difere "algo interpretado" de "algo encenado". Assistimos "Jogo de Cena", filme do Coutinho e brincamos, jogamos, pensamos. Grud saiu do nosso QG borbulhando comparações, idéias e conflitos... A abençoada crise de escolher entre o Natural e o Clássico, entre o Fantástico e o Real. Processos são Processos, e salve o processo!
Hoje assistimos Inimigo Meu, de Wolfgang Peteresen, uma inspiração para o Pixinguinha (personagem de Grud na peça), depois falamos mais de 1 hora sobre os paralelos do filme com o espetáculo. Traçamos idéias e voltamos ao assunto recorrente, "como interpretar alguém não humano, como pincelar, salpicar fantasia na fala, no diálogo, no gesto". Ir mais fundo, essa é nossa meta.

Desenho Animado para Adultos, Filme Politico para Crianças

No dia seguinte, reunidos Alexandre Cruz, o novo diretor de arte do "Do Alto do Seu Encanto" e seu diretor Valter Vanir Coelho, iniciaram com muitos rabiscos, discussões, exemplos e lembranças a confeccionar a nova "cara" do espetáculo. Alexandre como não tem tanto contato com o teatro de rua, foi muitas vezes interrompido por Coelho, pois o teatro de rua tem outra verve, as vezes um caminho muito singular, onde é obrigatório estabeler contato com o subconsciente repentino e imediato das pessoas. Mas Alexandre como grande artista que é, logo absorveu essa diferença dos palcos e desse papo festivo, calmo e borbulhante, nascia idéias lindas, sensiveis, fortes e realmente artisticas. O novo "Encanto" terá uma ligação mais clara com um mundo paralelo, será mais "desenho animado", terá mais sonhos e ilusões. "Temos que abandonar o concreto, o asfalto, o sêco, o duro..." assim concluiu Coelho. Assim concluiram os dois. No video, Alexandre mostrou "Yellow Submarine of The Beatles" e Valter colocou "Tempos Modernos" de Chaplin. Isso talvés significasse a mistura de mitos, de risos, da criança adulta de um com o adulto criança do outro. E isso assim continuará no próximo encontro.

"Mais Agua no Feijão" Reforçado estamos.


O nosso diretor Valter Vanir Coelho sempre foi um grande admirador dos trabalhos do artista Alexandre Cruz, e com sua ida para Amparo (quartel general de Cruz), ele voltou fascinado com seu processo de trabalho e seus outros talentos. Foi aí que surgiu a idéia de convidar Alexandre para fazer a direção de arte (clima, figurino, cenário, etc)do Do Alto do Seu Encanto. O premiado diretor, cineasta, figurinista aceitou para nossa alegria, e no dia 28 de Julho estava ele aqui para assistir uma apresentação do Encanto exclusiva. "Foi nosso menor público" fez graça o ator Rodolpho Pinotti. Já para o mais novo integrante da equipe foi "Foi algo absolutamente inusitado me senti meio Grotowski num momento de solidão como espectador , um voyer mas precisamente!!! Vocês foram muito generosos". Alexandre e Valter se reuniram no dia seguinte e discutiram bastante sobre o que cada um acha do clima, das cores e do ambiênte que a peça deve estabelecer. Alexandre Cruz deu o seguinte depoimento sobre a peça "Vi como se eu fosse uma criança. E isso me tocou porque é um texto que é uma resposta ao universo em desencanto, como se dissessem "Por favor não deixem roubar nossos sonhos" é a nossa matéria-prima; Deus (shakespeare) disse que nosso barro é esse: SONHOS" E com estas palavras nos entregamos ao significado mais real da frase "Seja bem vindo Alexandre Cruz."